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Cláudio Roscoe: Uma entrevista com o campeão do Marcas e Pilotos de São Paulo

Com apenas quatro anos dentro das pistas o mineiro Cláudio Roscoe foi a campeão de um dos campeonatos mais disputados no automobilismo nacional.

Em 2011 Roscoe conquistou o Campeonato Paulista de Marcas e Pilotos. O piloto diz que começou tarde nas pistas, mas já provou que é bom de briga conquistando o título de 2011. Além de ser fera nas pistas, Roscoe também é bastante atuante fora delas, até agosto de 2011 ele era Marketing e Comunicação da Associação de Pilotos de Marcas Paulista e mantêm um blog sobre o Marcas Paulista com novidades e a história do automobilismo. Confira abaixo a entrevista que o piloto mineiro concedeu ao Automobilismo em Foco.

Automobilismo em Foco (AEF): Quanto tempo você tem de automobilismo?
Cláudio Roscoe (CR): Uma de minhas maiores surpresas, e porque não dizer orgulho, é que consegui ser competitivo começando “tarde” no automobilismo. Digo entre aspas, porque meus resultados derrubaram o censo comum, que era inclusive meu, de que para ser competitivo em uma categoria disputada e com tantos talentos, é preciso começar cedo no automobilismo. Comecei a competir aos 48 anos, sem nunca ter competido em nenhuma modalidade antes. No kart foram poucas brincadeiras de indoor, mais nada. No automobilismo completei quatro anos no segundo semestre de 2011, estou hoje com 52 anos. Iniciei no campeonato Mineiro de Marcas. Em 2007 foram duas etapas, seis em 2008 e seis em 2009. Pelo campeonato Paulista foram duas etapas em 2008 e, de 2009 até o título em 2011, não saí mais do Marcas e Pilotos SP.

AEF: O que te levou às pistas? De onde vem essa paixão pela velocidade?
CR: A minha paixão pelo automobilismo sempre esteve presente, desde a infância. Meu pai me levava para ver as famosas corridas do Mineirão em Belo Horizonte. Lembro-me das portas do armário do meu quarto, cheias de fotos de corridas tiradas de revistas e claramente das fotos de Interlagos antigo. Acho que a paixão nasce quando você começa a definir seus heróis na infância. Meu pai gostava de carros, me levou para ver corridas, comprava revistas sobre corridas, tinha o pé direito meio pesado. Acredito que existam vários caminhos que podem provocar o nascimento dessa paixão, o meu foi por aí. Da paixão para as pistas, foi em Minas, em 2007, quando criaram um “track in night” no autódromo do Mega Space, nas sextas-feiras. A pista lá é toda iluminada. Vi o chamado na rádio e resolvi colocar o meu Marea turbo na pista. Daí para um curso de pilotagem e comprar um Voyage para correr não demorou muito.

Foto: Cláudio Kolodziej

AEF: Em 2011 você foi o Campeão da Marcas Paulista. Como foi essa disputa? Em que momento você percebeu que o campeonato não sairia mais das tuas mãos?
CR: Somente na bandeirada da primeira prova da última etapa, quando conquistei matematicamente o título. Só disputei a última prova com a tranquilidade do título. Fiz um campeonato bastante constante, não quebrando e não me envolvendo em batidas. Pontuei em todas as etapas. Tinha uma vantagem de pontos boa, mas o critério de seis descartes me aproximava dos outros concorrentes. A final do Marcas em Curitiba era bastante desvantajosa para mim, na teoria. Eu era o único concorrente ao título que nunca havia andado na pista de Curitiba e o concorrente que seguia em segundo no campeonato já havia se consagrado campeão estadual na pista de Curitiba. Sabia que seria dureza. Tive problemas com o rendimento do motor nas provas de sábado e a coisa ficou preta na soma dos pontos ao final desse dia. Caso eu repetisse no domingo os resultados de Sábado e meu concorrente também, ele seria o campeão. Pedi para trocar o motor para o domingo, acreditando que poderia crescer. E deu resultado. O carro apareceu, andei junto com os ponteiros, liderei prova e tinha como objetivo na primeira prova de domingo chegar na frente do Corsa 03. Caso conseguisse, eu seria o campeão. Larguei na frente dele, brigamos a prova inteira, cheguei na frente dele e conquistei o campeonato. Somente ali deu para aliviar. Até então, foi tenso. Me lembro de meu pensamento quando iniciei o campeonato de 2011: “eu não tenho pretensões profissionais e não tenho compromissos com resultados, eu quero é me divertir. Não quero ficar preocupado com pontos. Quero andar junto com os ponteiros, brigando e me divertindo. Que se dane a pontuação.” Logo após as primeiras vitórias esse pensamento deixou de existir, pois comecei a vislumbrar o título e a possibilidade de provocar, no piloto cinquentão aqui, o orgulho que citei no começo.

AEF: O ano de 2011 foi um ano bom. O que podemos esperar para 2012? Quais os planos para esse ano?
CR: Por enquanto estou buscando patrocínio. Gostaria muito de competir em 2012, na categoria que for possível. Aposto muito no potencial de retorno que posso dar aos patrocinadores. Encaro patrocínio como investimento que precisa de retorno. Quem acompanhou a categoria e não se lembra da marca ASKER estampada no Corsa prata?

AEF: O paulista de Marcas chega a ter o dobro de carros que o gaúcho. A que se deve esse sucesso todo?
CR: Acredito que são três os principais fatores: custo baixo, exposição na mídia e por acontecer em Interlagos. Todos três fatores interessam aos pilotos e patrocinadores. O potencial de retorno comercial da categoria é muito grande. A correta administração desse potencial é que determina o tamanho do grid. A união dos pilotos e/ou preparadores em torno dos interesses comuns é muito importante para eliminar certas barreiras que sempre existem e costumam limitar, e às vezes até acabar, com algumas categorias potencialmente viáveis.

AEF: Você é visto como um porta voz dos pilotos que disputam o Campeonato de Marcas Paulista. Como está o automobilismo em São Paulo atualmente?
CR: Não, pelo fato de ter sido diretor de Marketing e Comunicação da Associação de Pilotos de Marcas Paulista até agosto passado e, somado ao blog que tenho que é voltado principalmente para o Marcas, acabo sendo um canal, ou ponte de comunicação. Fico muito satisfeito em ver que a categoria se vê bastante no trabalho que faço no blog, mas de fato, a categoria tem uma associação que responde por ela. Sobre o automobilismo em São Paulo, se for no asfalto, significa automobilismo praticado em Piracicaba ou Interlagos e que envolve clubes e federação.

Vejo como positivo no autódromo de Piracicaba, o fato de ser um empreendimento privado. Faltam ainda mais investimentos para seu amadurecimento, mas isso vem acontecendo e deverá continuar para onde for o seu potencial. Por enquanto é um autódromo pequeno para muitas categorias e sua segurança ainda precisa de mais atenção. Sobre Interlagos, a força da burocracia e dos interesses públicos está pegando pesado contra o automobilismo Paulista e Brasileiro na gestão Kassab. Os Clubes, federações e Confederação, que na teoria seriam os defensores do automobilismo, incluídos aí os pilotos, apresentam estrutura e ideologia rudimentares para o business que é hoje o automobilismo. O “time” deles apresenta um “delay” incompatível com as necessidades atuais. Veja o exemplo do que fizeram com as 24 hs de Interlagos. Uma total irresponsabilidade administrativa deixou suspensa, sob risco de não acontecer ou acontecer no segundo semestre, uma prova histórica que traria para São Paulo mais uma força de atração esportiva, lazer e turismo. Toda a geração de empregos e receitas ao município que estavam previstas, foi suspensa por um “pequeno” erro administrativo e de comunicação. E o pior, quem fez toda a trapalhada foi a SP Turismo, a empresa que é responsável por fomentar o turismo municipal, cuja participação da prefeitura é de 70% de seu capital. É a deficiência da gestão pública com o status de empresa privada. Em São Paulo, a Fasp parece ser sempre a última a saber das decisões do autódromo. Os mais recentes casos foram os reajustes astronômicos da tabela de preços e o número de etapas cortadas para o Campeonato Paulista em 2012. A Fasp parece ficar sabendo das decisões do autódromo somente pelas publicações no site, não existe diálogo entre eles. A direção do autódromo/SP Turismo/Prefeitura não parece olhar para o automobilismo Paulista como deveria. São Paulo, um estado com mais de 40 milhões de habitantes, abdicar de Interlagos como uma opção também para a formação de novos talentos, é condenar o futuro do Brasil nas pistas e nas manchetes do mundo.

AEF: E no Brasil como vê o automobilismo?
CR: O automobilismo Brasileiro se ressente da ineficiência dos Clubes, Federações e Confederação. As estruturas ultrapassadas e “coronelistas” dificultam a sua evolução em direção ao seu potencial. A estrutura prejudica sua credibilidade. O automobilismo, a segunda maior força do esporte no Brasil, está longe de ser o segundo mais organizado e bem gerido. O vôlei brasileiro é um esporte que nos mostra que a junção de gestão e transparência atrai investimentos para formação de um ciclo virtuoso. O que percebo são movimentos de eficiências privadas funcionando em algumas regiões, como no sul e, normalmente, o poder público “sangrando” os autódromos que administram. Interlagos chega a ser um caso a parte pelo status público alcançado pela F1. A gestão pública do Rio deixou Jacarepaguá em “coma”. E o pior é que as estruturas ineficientes não conversam entre si. CBA, Federação Carioca e Paulista não conversam com os seus administradores de autódromo. O potencial da força do automobilismo pode ser sentido na quantidade de novos pilotos federados e pela quantidade de novas categorias que se formam a cada ano. Mesmo com todas as dificuldades estruturais, o que se vê nas pistas, são cada vez mais carros e melhores disputas. Sou otimista quanto ao futuro do automobilismo no Brasil, pois seu potencial é maior do que a força contrária de sua má gestão. Mas, mesmo assim, não dá para não sonhar com essa força a favor. Já pensou?

O Automobilismo em Foco agradece ao simpático piloto Cláudio Roscoe pela entrevista. E neste ano de 2012 o site estará acompanhando o campeonato mais disputado de marcas do Brasil: Marcas e Pilotos Paulista.

Entrevista realizada pelo jornalista do AEF, Murilo Carvalho.
Imagens: Automobilismo em Foco (Fernando Conto Pereira) e Cláudio Kolodziej


2120 dias ago by in Automobilismo | You can follow any responses to this entry through the RSS feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
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